Danielle Milarski
Quando recebi o convite da Yara para escrever sobre a minha experiência com a compostagem, rapidamente comecei a tentar lembrar como e quando implantei a lixeira viva na garagem da minha casa. Foi no início de 2009. Um vizinho e amigo, que na época fazia parte de uma ONG, me falou sobre o assunto. Um dos idealizadores da ONG é um maluco desses incansáveis na arte de te convencer de que um novo mundo é possível. Ele é o que eu denomino Ecochato. Mas, irritantemente, ele sempre tem razão. É esse “maluco” que encabeça a bem-humorada campanha "Eu me lixo para o Aterro Sanitário" e também o movimento “Do meu lixo cuido eu”. De tanto ouvir sobre isso, um dia resolvi criar vergonha na cara e cuidar do meu também.
É tão cômodo enchermos sacolas e sacolas de lixo e dispensá-las lá fora, longe dos nossos olhos, como se não fossem problema nosso. Para onde serão levadas e o que será feito com elas já não nos interessa nem nos tira o sono. Mas de repente isso realmente passou a me incomodar. Comecei a me sentir responsável pelos resíduos gerados em minha casa.
Em janeiro do ano passado, resolvi, então, reciclar o meu lixo de cozinha. Entrei em contato com o pessoal da ONG e comprei a minha lixeira viva. Fiquei muito entusiasmada com a aquisição, apesar de, confesso, ficar um pouco apreensiva com um possível mau-cheiro. Não temos um grande quintal em casa, então instalei a lixeira na garagem, em cima do relógio do gás, bem em frente à janela da cozinha. Se o cheiro fosse forte, teríamos problemas. O rapaz da ONG a trouxe em minha casa, forneceu as instruções e imediatamente comecei a minha experiência. O kit vem com três caixas pretas, uma sobre a outra - no início são necessárias apenas duas. A de cima vem com um pouco de húmus e minhocas. A de baixo servirá de depósito do chorume – o líquido que sai da decomposição do lixo.
Mas é compensador cuidar bem das minhocas. Elas retribuem com muita generosidade! Colocamos na composteira cascas de ovo, pó de café, saquinhos de chá, guardanapos e jornal. Quando enchemos uma caixa, é preciso deixá-la fechada por 60 ou 70 dias. É quando começamos a usar a terceira caixa. Depois, temos um húmus riquíssimo, que faz milagres na horta do condomínio e em nossas plantinhas. Não é raro acontecer de, depois de algumas semanas do húmus ser misturado à terra na horta, brotarem pés de abóbora, espinafre ou camomila. Obras da natureza. E quanto ao chorume, ele é um fertilizante natural. Excelente para manter as plantas felizes, cheias de flores.
Danielle Milarski,
mãe da Sofia, do 1º ano (Turma do Olimpo)
e do Andre, do Maternal I